Quem me dera se minhas mãos digitassem na mesma velocidade em que corro. Por favor, entenda, leitor. Tenho pressa. Tenho pressa em dizer que amo, e que talvez eu sempre amei, apenas não tinha me dado conta disso. É que às vezes a gente só percebe quando o amor que fica guardado aqui dentro resolve sair, espairecer um pouco e conhecer de verdade o coração alheio. É quando a gente resolve conhecer o outro, e se entregar. De olhos fechados, mas com a mente aberta. E então percebemos que, realmente, o que a gente mantinha aqui dentro simplesmente não podia mais ficar. Como pode, sem espaço? É demasiadamente grande, leitor. Não se encaixa em qualquer definição de espaço postulada pela matemática, e nenhum, exatamente nenhum adjetivo consegue expressar como os amantes se sentem. E ainda afirmo: não há biologia no mundo que seja capaz de explicar como tudo se desenrola aqui dentro. São tantas sinalizações, tantas informações, que a ciência não consegue acompanhar o que acontece com aqueles que amam. Afinal, como explicar um coração que bate aceleradamente mas, ainda assim, se encontra calmo? Como explicar a tremedeira que o corpo sente quando um certo alguém está, apenas, para chegar? Repito: os cientistas não me convencem. Fico com o que a gente sente, e ponto final. Fico com o que não há explicações, que chega de repente e, se for verdadeiro, fica. Ou melhor, verdadeiro não é a palavra certa; afinal, pode-se ter um verdadeiro amor por uma planta, ou por um amigo. A diferença está em compartilhar. A diferença está em como esse amor, verdadeiro, é compartilhado. Sem preocupações, sem autoridades, e sem hora pra chegar ou sair. É livre como um pássaro, e voa nesse imenso céu azul, em dias ensolarados, com o direito a um lindo pôr-do-sol e um mar de estrelas a noite. Voa para onde quiser ir, sabendo que sempre haverá um outro pássaro para acompanhá-lo, e compartilhar tudo o que há de mais belo no mundo inteiro. Compartilhar não só todo o amor que cabe em si, mas também o que não cabe.
"É que eu preciso dizer que te amo, tanto..."
- Dé, Bebel e Cazuza.